História da Educação Especial no ES - Por Gisselda Pelissari

A professora Gisselda Pelissari foi uma das pioneiras na educação de pessoas com deficiência visual no Espírito Santo, destacando-se por sua postura inovadora em defesa da integração escolar em uma época marcada pela lógica da segregação. Diferentemente da proposta de criação de escolas especiais, Gisselda Pelissari acreditava que os estudantes cegos deveriam estar nas salas de aula comuns, convivendo e aprendendo junto aos demais colegas. Essa visão, que hoje associamos ao princípio da inclusão, já orientava sua prática desde os anos 1960, quando a noção predominante era a de que esses alunos deveriam ser atendidos separadamente.
Formada no curso oferecido pela Fundação Dorina, por meio da CNERDV, Gisselda Pelissari foi a primeira professora capixaba a se especializar na área e, ao retornar, tornou-se também formadora de outros docentes, difundindo seus aprendizados e consolidando práticas que buscavam garantir o direito à escolarização de alunos com deficiência visual. Sua atuação não se limitava às salas de aula: realizava buscas ativas de estudantes cegos no território capixaba e organizava espaços de alfabetização voltados tanto aos alunos quanto às suas famílias, de modo que esses ambientes funcionassem como ponto de apoio para a inserção dos estudantes nas classes regulares.
Colegas de profissão que trabalharam com Gisselda Pelissari confirmam seu papel decisivo. Relatam que ela defendia a presença dos alunos com deficiência visual nas turmas comuns quando ainda quase ninguém falava sobre inclusão. Seu engajamento a colocava como voz ativa em debates e práticas que só se tornariam políticas públicas décadas depois. Por sua trajetória, a professora Gisselda Pelissari pode ser reconhecida como figura central e pioneira na história da educação de pessoas com deficiência visual no Espírito Santo, marcando um caminho de luta, inovação pedagógica e compromisso com a igualdade de acesso à educação.